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Chegou ao fim uma guerra que nunca foi declarada, que terminou antes sequer de ser autorizada pelo Congresso americano, e cujo armistício decreta apenas o regresso ao estado das coisas antes de ter sido disparado o primeiro tiro. No fundo, e pensando bem, também não foi propriamente assinado um acordo entre os beligerantes. Foram, isso sim, trocadas umas assinaturas digitais. O acordo é apresentado como uma cedência iraniana, quando, na verdade, o regime de Teerão concorda com a paz mediante o regresso exatamente à mesma posição anterior ao conflito, ou seja, a guerra começou e Ormuz foi bloqueado, agora a guerra terminou com a grande cedência a ser o desbloqueio de Ormuz. Na prática, o Irão passa a ter uma segunda arma nuclear, neste caso apontada permanentemente à economia global. Além desta enorme conquista americana, digamos assim, também o desarmamento nuclear do Irão fica por concretizar, além de que o regime se mantém exatamente na mesma. Finalmente, o povo iraniano vai continuar subjugado a uma ditadura irracional e mitómana. Poucas semanas depois dos primeiros bombardeamentos, quando se verificou que os Estados Unidos não tinham objetivo nem estratégia para este conflito, pareceu-me que estávamos perante uma derrota clamorosa da América, que seria muito perigosa porque deixaria o Mundo à mercê de pequenas potências subitamente empoderadas pela guerra assimétrica. Está consumado.

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