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Rui Zink

Rui Zink

A crise da habituação

23 de outubro de 2026 às 00:30

Quantos políticos portugueses não usaram já, com tom escarninho, a cínica expressão “Habituem-se”? Pelas minhas contas, um cardume deles. O último foi Hugo Soares, a propósito já nem sei de quê. Na volta, foi da crise da habitação. “Habituem-se.” Um pouco infeliz, esta tendência de um maioral armar a tenda, perdão, de se armar em forte com os fracos. É que depois acaba a recuar, se do outro lado houver menos fraqueza do que julgava. E que tirada infeliz, a do presidente da câmara do Porto sobre os jovens acampados, ao dizer que ia ser “implacável”. Calculo que já esteja arrependido do ar de peito feito, como se fosse ele próprio a ir, mãos nuas, dar-lhes um ‘justo corretivo’. Um conselho amigo, caro Pedro Duarte: líder forte não tem de se fingir de forte.

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