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Paulo de Morais

Paulo de Morais

Professor universitário

Judiciária na lama

13 de setembro de 2026 às 00:30

A comissão parlamentar de inquérito (CPI) à gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária (PJ) é uma ameaça à democracia. Porquê? Porque a CPI, exigida pelo Chega, terá por principal objectivo desacreditar investigações e detenções que a PJ executou no período da direcção de Neves (2018-2926). A partir do Parlamento, alguns partidos poderão colocar em causa a prisão de Rendeiro na África do Sul e o arresto dos seus bens. Deputados irão lançar dúvidas sobre a investigação realizada à off-shore de Malta de Mário Ferreira e às fugas ao fisco do dono da TVI. Traficantes de droga irão alegar que foram detidos através de informalidades de Luís Neves. Irão mesmo insinuar que bandidos são os inspectores que os prenderam. E até o presidiário Mário Machado, cujo violento grupo de extrema-direita foi desmantelado, irá proclamar-se injustiçado. Em simultâneo, uma horda de comentadores televisivos irá enlamear a PJ. Só há uma consequência: os criminosos serão publicamente reabilitados.

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