O prazer que o velho Doutor Homem, meu pai, obtinha da sua biblioteca não tinha a ver com nenhum tipo de dedicação à literatura ou às figuras literárias. Era sobretudo um coleccionador e, em abono da verdade, é necessário dizer que abominava escritores em carne e osso, tirando o Dr. Pedro Homem de Mello, com quem ocorria juntar-se periodicamente a uma mesa do Café Diu, e que considerava um vate de antigamente – a par disso, calhava os dois fumarem ‘Antoninos’, gostarem de palavras cruzadas e terem um certo gosto por desempenharem o papel de cavalheiros do Porto. Eram totalmente diferentes: o velho Doutor Homem, meu pai, não era um literato; o Dr. Homem de Mello era um literato de há séculos, contemporâneo de Sá de Miranda e do sr. Abade de Jazente, às vezes ventríloquo de Cesário Verde, de outras vezes seu inimigo.
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