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Francisco José Viegas

Francisco José Viegas

Escritor

Blog

07 de agosto de 2025 às 00:30

A questão do “estado das coisas” acaba geralmente diluída num dos mais complexos mas regulares cerimoniais da nossa democracia: a atribuição de culpas. Havendo, desde o fim decretado da Guarda Florestal até hoje, um longo caminho percorrido no combate a incêndios e à sua prevenção, por que misteriosa razão todos os anos se atribuem culpas e comportamentos danosos por coisas tão simples como um helicóptero que não levanta voo, uma ambulância que avaria a meio de uma operação, um incidente com os bombeiros – e um desfile de comentadores especialistas em incêndios semelhante a uma procissão de exaltados? Oiço alguns deles com atenção. Geralmente, aparecem nestas ocasiões – professores, investigadores, especialistas (mesmo). O que fazem as televisões no resto do ano? Dedicam-se, compreensivelmente, a outras tragédias para as quais há grande oferta de comentadores. Mas por que razão não são ouvidos – pelo governo, pelos muitos serviços do Estado, pelos operacionais – os especialistas (mesmo) enquanto os incêndios não chegam?

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