O meu avô era operário nas oficinas da CP no Pocinho. Isto trouxe-me uma paixão por duas das coisas que ele amava: os comboios, naturalmente – e as ferramentas que usava para fixar, soldar, moldar, polir ou esmerilar, perfurar, lubrificar e transformar. Hoje, quando passo por essas oficinas abandonadas, recordo-o, vestido de ganga azul, a manusear ferramentas que não sei usar. O meu pai, meticuloso e organizado, tinha ferramentas para todos os seus hóbis, de carpintaria a horticultura, e invejei-as sempre. A palavra “ferramenta” adquiriu uma espécie de aura e de matéria familiar. Outro dia, num restaurante, calhou ouvir a conversa da mesa ao lado, onde duas senhoras discutiam a importância “das ferramentas”. Pus-me à escuta. Mas em vez de ferros de soldar e maçaricos, cinzéis, alicates, chaves de grifo e serras, ou simples aparafusadoras e berbequins, uma delas recomendava à amiga uma aplicação onde encontraria “uma série de ferramentas” para escrever relatórios de primeira ordem. A nossa indústria mudou muito.
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