É famosa aquela pergunta arrogante de V.S. Naipaul (ele tinha algumas razões para ser ligeiramente arrogante): “Jane Austen é sobre quê?” (“What was Jane Austen about?”) Naipaul também foi injusto, além disso. Ele queixava-se do “romance britânico”, esse conjunto de enredos cheio de casamentos, presbitérios, classe média, ambições, pobreza, riqueza, casas de campo, famílias cujo nome evoca séculos anos de poder e boas relações, no qual ele teve de ser aceite depois de muito ter batido à porta com ‘Uma Curva no Rio’, ‘O Enigma da Chegada’ ou ‘Uma Casa para Mr. Biswas’. Mas Jane Austen bateu à porta até tarde, e não foi fácil entrar, se é que quis mesmo morar nesse castelo do romance britânico (claro que quis). Morreu aos 41, o que significa que esse primeiro romance, ‘Sensibilidade e Bom Senso’ (1811), que esperou 16 anos pela publicação, marcou o início da sua curtíssima “carreira literária” de apenas seis anos. ‘Orgulho e Preconceito’ (1913) foi publicado aos 37 anos e esteve 17 anos a aguardar para ser impresso. Não assinou os livros com o seu nome: ‘Sensibilidade e Bom Senso’ foi assinado por “A Lady”, e o frontispício de ‘Orgulho e Preconceito’ informava ser da “autora de ‘Sensibilidade e Bom Senso’" – e assim sucessivamente, até morrer. Não pôde festejar em público nem receber elogios senão de um círculo restrito. ‘Mansfield Park’ (1814) e ‘Emma’ (1815) completam a tetralogia dos romances lançados em vida; ‘A Abadia de Northanger’ e ‘Persuasão’ foram publicados só depois da sua morte, se bem que a lápide do seu túmulo não mencione a qualidade de escritora.
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