No dia 4 de Julho passaram 10 anos da descoberta da ‘partícula de Deus’, nome dado por um editor. É desajustado, pois, a existir Deus, todas as partículas serão d’Ele e não apenas essa. E, além do mais, a Física não tem por objectivo provar a existência de Deus, buscando-O num acelerador de partículas. A designação correcta é ‘bosão de Higgs’, do nome do físico britânico Peter Higgs, que o previu num artigo de 1964, quase meio século antes. Higgs, com admiráveis 93 anos feitos há pouco, é ateu e não gostou da conotação religiosa que a ‘sua’ partícula adquiriu.
Quando a descoberta foi anunciada, Peter Higgs e François Englert, físico belga judeu que num trabalho independente tinha feito a mesma previsão, estavam na primeira fila do auditório do CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) em Genebra, na Suíça, apinhado de cientistas e técnicos. Fortes aplausos romperam logo que a porta-voz de uma das experiências do CERN, a italiana Fabiola Gianotti, hoje directora-geral da organização, informou que tinha sido detectada a partícula há muito conjecturada. Era a peça que faltava no ‘modelo-padrão’ de partículas e forças fundamentais. Em Outubro do ano seguinte o prémio Nobel da Física era, sem surpresa, atribuído a Higgs e a Englert.
Na última década mediu-se com mais precisão a massa do Higgs e conheceram-se melhor os seus processos de decaimento: ele decai muito rapidamente após se formar em choques de alta energia de protões contra protões. Mas, para frustração de alguns, porque o modelo-padrão parece imperfeito, não se encontrou mais nada. Não se encontraram, por exemplo, partículas que pudessem formar a matéria escura, que perfaz a maior parte da massa do Universo. O acelerador principal do CERN voltou a funcionar a 5 de Julho após uma pausa de três anos e vamos ver que novidades nos vai trazer.
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