Francisco José Viegas
EscritorFilha de um funcionário superior da administração pública, de origem manchu – a etnia fundadora da dinastia Qing, em 1644, vinda dos grandes territórios a norte, para lá da Grande Muralha –, Cixi recebeu uma educação vulgar: sabia escrever e ler chinês (a língua manchu não tinha o prestígio necessário), jogar xadrez, desenhar e pintar, fazer vestidos. Mas em 1850 o mundo mudou com a morte do imperador Daoguang e com a ascensão do seu filho, Xianfeng, a quem era preciso casar e, depois, reunir-lhe um harém de concubinas. Em 1852, com a China agitada pela revolta Taiping, uma rebelião de camponeses, e no final de uma extenuante lista de cerimónias e provas, a jovem manchu é escolhida como uma das dezoito concubinas – com o nome Lan, “magnólia”. A imperatriz é Zhen, “castidade”. Faz toda a diferença, até porque Cixi é uma concubina de um nível inferior (6 em 8) mas entre as duas irá nascer uma cumplicidade que atravessaria todo o século XIX do Império do Meio. Zhen tratará a concubina como “Irmã mais nova” e em 1854 pede ao imperador, conhecido como “dragão coxo” (coxeava e era conhecido pelas suas proezas sexuais) que a promova na escala do palácio – este acede e autoriza a que ela mude de nome, Yi, “exemplar”. Mais dois anos e, em 1856, Cixi dá à luz um rapaz, o varão esperado pelo imperador. Cixi passa a “consorte número dois”. O resto não é história de fadas. É a história da ascensão ao poder da então concubina imperial depois da morte de Xianfeng em 1861.
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