Terá nascido em 1524 (mas pode ter sido em 1525), as primeiras biografias foram escritas depois da sua morte, e há registos a garantir que era filho da mouraria lisboeta, “barbirruivo”, escudeiro, destinado a viajar para a Índia em 1550. Pobre e dando-se com ricos, náufrago e prisioneiro, degredado e soldado, valdevinos e erudito. Foi censurado, expurgado e treslido: serviu para exercícios de gramática, oratória e retórica, história e mitologia da pátria, herança clássica e métrica – um pouco de tudo. Em 1926, um decreto-lei institui que ‘Os Lusíadas’ deviam servir para despertar nos alunos “virtudes cívicas e domésticas” – e já durante a República era o material destinado a servir para o ensino da gramática e do patriotismo nas escolas. Depois, com o Estado Novo, passámos ao “culto cristão da Pátria” e o épico como altar da “Santa Arca da nacionalidade”. Com a democracia de hoje, acabou ridicularizado pelos medíocres. Pobre Camões, a servir as necessidades de cada regime. Hoje, não há debate, colóquio, missa académica, encontro de lunáticos, congresso de camonistas, simpósio de patriotas – em que, depois de se elogiar Camões, não apareça uma alma com a excruciante pergunta: e então o colonialismo, o racismo, o machismo, a misoginia (nisto miseravelmente se transformou o tão perigoso Canto IX), a violência e a escravatura? Essas questões têm um interesse devastador para os historiadores e para os censores ou ativistas, mas não acrescentam nada à voz de um autor se não lhe ouvirmos a consciência ou os combates que travou com o passado e com o mundo de que foi testemunha. Um resumo vem no Canto V: “Contar-te longamente as perigosas/ Cousas do mar, que os homens não entendem,/ Súbitas trovoadas temerosas,/ Relâmpagos que o ar em fogo acendem,/ Negros chuveiros, noites tenebrosas,/ Bramidos de trovões, que o mundo fendem...”
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