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Dora, a Espectadora

“Ne pas chercher à comprendre”

01 de maio de 2026 às 00:30

Há uma teoria estética, muito em voga nos círculos do cinema de autor, segundo a qual as grandes obras não têm bons nem maus. Têm personagens. Têm motivações. Têm circunstâncias que explicam (não justificam, note-se, apenas explicam) porque é que certas pessoas fizeram certas coisas. É uma teoria respeitável. Produziu filmes notáveis. E tem, como todas as teorias respeitáveis, um limite: o momento em que essa ambivalência moral deixa de ser um instrumento narrativo e passa a ser um serviço prestado a quem não o merece.

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