A obra de Camilo, escrevia Ramalho Ortigão num estudo publicado na 9.ª edição de ‘Amor de Perdição’, é “essencialmente provincial, delimitadamente portuense, fundamentalmente lírica”. O texto de Ramalho é um retrato estonteante do Porto dos anos 50 do século XIX – um mundo de pobres, marçanos e caixeiros, serviçais e remediados, todos devotos dos santos locais, todos rezingões e desconfiados; de piqueniques na Quinta da China ou no Freixo, de procissões e de devoções ao Senhor da Pedra, de folhetinistas audazes, sem vergonha, e de rapazes violentos, atrevidos – uma “geração de estouvados” – que quebravam o Teatro de São João, andavam armados de cacetes ou pistolas e morriam de amor, encharcados de conhaque ou de congestão pulmonar. Num retrato vivo e próximo, como portuense familiar, Ramalho relembra que os companheiros próximos da “geração romântica” de Camilo morreram “de enfermidades sintomáticas de degenerescência”: de tísica (como Júlio Dinis, em 1871, ou Soares de Passos em 1860), lesões cardíacas, ‘delirium tremens’, demência ou suicídio. É um mundo reunido em torno da Assembleia Portuense, da Sociedade Filarmónica, da Feitoria Inglesa e do São João (o teatro), mas também dos santos populares e do exibicionismo dos “brasileiros” que tinham regressado ricos, mas que mantinha a sua coloração original, a gravidade: “Em toda a classe comercial não havia um só bigode, e nenhum negociante deste nome se vestia senão de preto, colete de cetim e longa sobrecasaca.”
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Afinal de que adiantam dias de descanso se tivermos fome e sem casa para morar?
Não gostava do Generalíssimo como não gostava do dr. Salazar, o que várias vezes se apresentou ser um problema para a família
Olhamos para o lado e vemos o Governo espanhol a apoiar famílias e empresas
Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
O mais urgente: remeter ao MJ as propostas da regulamentação em falta, para aprovação.
Sem intermediação religiosa
O Correio da Manhã para quem quer MAIS
Sem
Limites
Sem
POP-UPS
Ofertas e
Descontos