Portugal atravessou um processo de ajustamento orçamental. Não se ajustou, apenas, graças a intervenções de pura austeridade e a uma enorme carga fiscal. Ajustou-se, fundamentalmente, graças a um esforço notável de muitos portugueses.
Quatro anos passados, mudou a governação, mas a expectativa acerca do seu futuro mantém-se: baixos crescimentos do PIB, elevada dívida externa e total dependência dos mercados e do Banco Central Europeu.
A resiliência surpreendente de setores como o do calçado ou do têxtil ou a explosão do turismo de cidade não são, por si só, suficientes para inverter a lógica de dependência. Apesar disso, deveriam ser interessantes pistas para o País. O 5º quadro comunitário de apoio deveria, por isso, ser uma oportunidade para estimular diversos setores industriais a criarem valor aportado ao produto. E não vai ser!
Mas o "Portugal 2020", como lhe chamam, deveria ser também uma oportunidade de regeneração e aumento de competitividade das cidades, porque é através de urbes confortáveis, sustentáveis e interessantes que hoje se faz atração de investimento e se cria valor social e competitividade no mundo global.
No início de 2014, acabado de tomar posse como autarca, tive conhecimento dos documentos preliminares do quinto quadro comunitário de apoio propostos por Portugal à Comissão Europeia. Denunciei que o caminho era preocupante, que prejudicava o desenvolvimento regional e das cidades e que todo o processo estava atrasado. Fui violentamente atacado. Chamaram-me populista e desconhecedor, porque 2015 seria o ano do paraíso na terra, com tantos fundos distribuídos.
Mais de dois anos depois, o dinheiro continua em Bruxelas. E, por cá, o meu pessimismo era, afinal, otimista. É que, dos 25 mil milhões de euros destinados a Portugal, foram-nos agora propostos 26,5 milhões para o desenvolvimento urbano do Porto. Tínhamos mais de 160 milhões em projetos. E para que os números não nos traiam, façamos as contas: por cada mil euros que chegarão a Portugal, apenas um euro e seis cêntimos serão atribuídos ao município do Porto.
Se há dois anos apelei a que Bruxelas e Portugal não assinassem um sinistro quadro comunitário, hoje, coerentemente, recuso-me a assinar com a Comissão de Coordenação Regional a esmola proposta. Digo não. Se não houver uma revisão em alta, o Porto não assinará a sua própria condenação.
Festival ‘Dias da Dança’
Até dia 7 de maio, há dança por toda a cidade do Porto, mas também nas cidades de Matosinhos e de Vila Nova de Gaia. É a primeira edição do Festival DDD – Dias Da Dança, que neste fim de semana se iniciou e tem atraído centenas de espectadores a várias salas e espaços da chamada Frente Atlântica do Porto.
Esta é uma excelente oportunidade para o público poder apreciar ou reapreciar o trabalho de performance de muitas companhias e artistas.
Mas é também uma grande oportunidade para as companhias das referidas três cidades, que assim concentram em dez dias uma verdadeira mostra do que melhor se faz por cá, atraindo promotores e críticos do País mas também do estrangeiro. A programação completa está no site do festival em www.festivalddd.comDez meses de ‘Pele do Porto’
A ‘Pele do Porto’ é uma rubrica diária que mantenho na minha página de Facebook há 10 meses e que já colecionou fotografias de mais de 300 portuenses. Nem todos nasceram no Porto e nem todos vivem no Porto. Mas todos são portuenses de alguma forma. Na sua maioria são pessoas que se cruzam com o fotógrafo Miguel Nogueira, que decidiu fazer este trabalho. Regularmente, algumas pessoas enviam-me fotografias para que as publique nesta rubrica.
Agradeço, mas não vale a pena. A ‘Pele do Porto’ resulta da espontaneidade do dia e do "cruzamento" que eu vou tendo (com o Miguel) com a cidade. A dois meses de completar um ano, este projeto fotográfico é já um espelho da alma portuense.
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Afinal de que adiantam dias de descanso se tivermos fome e sem casa para morar?
Não gostava do Generalíssimo como não gostava do dr. Salazar, o que várias vezes se apresentou ser um problema para a família
Olhamos para o lado e vemos o Governo espanhol a apoiar famílias e empresas
Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
O mais urgente: remeter ao MJ as propostas da regulamentação em falta, para aprovação.
Sem intermediação religiosa