O 25 de Abril de anteontem ameaçou tornar-se um dos mais aborrecidos de sempre. No parlamento, onze discursos, onze. Algum interessante? O leitor lembra-se de algum que se destacasse? Algum bem escrito, numa prosa que possa lembrar-se pra semana, para não dizer dentro de anos? Todos morreram ali, talvez exceptuado o de Aguiar Branco. Os políticos, como ele sugeriu, já não têm nada para dizer do 25 de Abril propriamente dito, cada um tem o seu 25 de Abril passado, cada um tem o seu futuro 25 de Abril. Palavras, palavras, palavras, disse Hamlet a Polónio. O cansaço retórico coincide com o cansaço ideológico. E também cansaço de emoções: já não se emocionam no ritual. Paulo Raimundo, do PCP, até ralhou com a malta porque, disse, o 25 de Abril não é dia de festa. Então é o quê? Não é uma festa, a instauração da liberdade e o fim da guerra? Nem para ele nem para os outros, todos fizeram discursos tristes. Quando a cerimónia acabou, eu, cansado da mediocridade discursiva, respirei de alívio - até verificar que, depois dos onze discursos, representantes dos nove partidos foram aos Passos Perdidos como que discursar outra vez, agora só para os jornalistas. As TV, obedientes, transmitiram as declarações declarativas dos declaradores sobre as declarações feitas no hemiciclo.
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