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Eduardo Cintra Torres

Eduardo Cintra Torres

Assédio, media e vídeo

19 de novembro de 2017 às 00:30

Perversões e violações sexuais são comuns de alto a baixo na sociedade, mas homens com poder praticam-nas com a impunidade que lhes dá a autoridade sobre quem os rodeia.

O imperador Tibério violentava miúdos e bebés de forma escabrosa. E um sucessor, Nero, castrou um adolescente e casou-se com ele como se fossem marido e mulher. Desvios sexuais hoje criminalizados sempre foram moralmente condenáveis, mas só tarde o poder político os colocou fora da lei. Tivemos em Portugal, ainda no século XX, reconhecidos políticos e escritores que ‘toda a gente’ sabia serem pedófilos. Nem por isso a lei caiu sobre eles. Mais um pouco e não se safavam de repousar hoje no Panteão. Entretanto a sociedade afinou valores, tornou-se intolerante com esses desvios, que o poder político, sempre arrastando-se atrás dela, criminalizou. Quando quer ir à frente, cai no exagero e no ridículo, como na ‘nossa’ criminalização do piropo.

Na interacção entre protagonistas na sociedade sobre o que é moral ou legalmente condenável, as situações adquirem proeminência menos de acordo com a lei do que com a atitude dessa entidade difusa que é a opinião pública.

Os casos de assédio que invadiram o palco nos EUA desde Outubro, como os do produtor Harvey Weinstein e do actor Kevin Spacey, revelam essa ligação entre os valores sociais num certo momento e a expressão pública que adquirem através dos media. Estes procuram sintonizar-se com a opinião pública e dão ou não relevância aos assuntos consoante o estado dela. Casos de assédio por gente do entretenimento são públicos há décadas, mas nunca tiveram esta magnitude no mundo da comunicação.

Agora é diferente. Avançou-se na igualdade da mulher e crianças e adolescentes adquiriram protecção social e legal jamais vistas. Em sintonia, legisladores, opinião pública e media reagem ao universo tenebroso dos poderosos assediadores. Na sociedade americana, em que o próprio povo é ‘populista’, abate-se um círculo de ferro sobre eles antes ainda de aplicada a lei. Spacey é apagado dum filme e ‘impugnado’ de ‘House of Cards’ pois a opinião pública não toleraria — e o negócio das empresas produtoras tem de obedecer-lhe. Esta interacção entre as esferas sociais vai-se espalhando. Entre nós, a administração da RTP quis voltar a pôr Carlos Cruz nos ecrãs, depois de ele ter cumprido pena, mas teve de recuar precisamente pelas mesmas razões. Tentou porque é um canal do Estado, feito com o dinheiro dos outros. Já a SIC, privada, tinha censurado um programa de Carlos Cruz com crianças, ainda ele estava no ar, logo que o apresentador foi acusado pela Justiça.

A ver vamos: Robots humanóides - Inteligência e palhaçada artificial

A robótica já existe há que anos, na aeronáutica, na indústria automóvel e tantas outras. Os carros têm equipamentos que tomam decisões pelos condutores. A inteligência artificial não tem de se materializar em robots de forma humanóide. Vi por aí um robot antropomórfico que faz ginástica.

Admirou-me a ‘inteligência’ dos humanos que criaram um robot para fazer uma actividade não produtiva que apenas é admirável em seres humanos. Já a tal ‘Sophia’ que é ‘cidadã’ da Arábia Saudita revela a esperteza saloia de se explorar a credulidade e a moda. Essa robot não serve para nada, excepto para palhaçadas na Web Summit ou em palcos circenses.

A performance da ‘Sophia’ e do ‘Einstein’ — e que insulto dar a uma máquina idiota o nome dum superior génio humano — foi uma palhaçada e uma aldrabice. Simulou-se ali que as duas máquinas faziam algo que qualquer ser humano faz melhor: pensar. Mas eram vozes humanas gravadas ou por trás da cortina.

Já agora - CGI: Como mudar algo para tudo ficar igual

Com a nomeação dos geringonceiros Helena Sousa e o incompatível Seixas da Costa para o Conselho Geral (CGI) da RTP completou-se o ‘bloco central’ no órgão que há-de nomear a próxima administração da empresa. Como o actual presidente já deu graxa antecipada ao novo CGI, a podridão sistémica perpetuar-se-á nos órgãos dirigentes da RTP. Parabéns.

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