De longe a longe ocupam-me as visões de Swedenborg (1688-1772). Esse famoso sueco, competente em Engenharia Militar, Hidráulica, Teologia, Química, Anatomia e outras ciências, foi um dia visitado por ninguém menos que Jesus Cristo, relatando que várias vezes subiu ao Céu na companhia do Redentor.
Na ocasião em que a entrevistei, também a Santa da Ladeira me disse ter feito duas dessas ascensões, confirmando as palavras do sueco: lá em cima é a réplica exacta do que existe e se passa cá em baixo.
Por razões várias desagrada-me a possibilidade. Então dentro em pouco – na minha idade o tempo voa – dou o último suspiro, chego ao destino e encontro lá o que aqui me afligiu? Ouvir o senhor Marques Mendes? Ver telenovelas e programas de cozinha? O Primeiro Ministro a garantir prosperidade para o ano que vem? Suportar relatos de futebol? Discursos? Intervenções parlamentares? O senhor Matias da farmácia, que começava sempre as frases com um "Ó meu grande amigo!"? Haverá filas de trânsito? Cartazes? Máfia? Políticos corruptos? Banqueiros DDT?
Será que o Céu não existe e é tudo Inferno?
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Tão distantes, que já nem exóticos parecem, antes medievais.
O razoável funcionamento da caixa cerebral que armazena os dados.
Mais vezes do que – fosse ela de santo – a paciência aguenta.
Veio a droga, veio o martírio, sobram as ameaças.
Em vez de agradecer os conselhos, mostram má cara.
Um vasto número de portugueses, embora consiga ler um texto, tem dificuldade de interpretá-lo.