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João Moniz

João Moniz

Jornalista

A insistência dogmática do fariolismo

24 de outubro de 2026 às 00:30

Francesco Farioli endureceu o discurso. Por muito figurada que fosse a descrição de um "mundo exterior que tem o desejo de meter uma bomba, de matar pessoas ou de, pelo menos, ver algum sangue", a intenção é clara: apontar a inimigos externos em vez de destacar os erros próprios. O Fariolismo tem pilares bem definidos. Como o rigor defensivo, a pressão para recuperar a bola que permite transições rápidas e a intensidade que 'abafa' os adversários. Esse estilo de jogo tem sobrado para o campeonato português, mas revelou-se insuficiente para a Champions. Esta época, o FC Porto tem dez golos sofridos em 12 jogos (nove vitórias e três derrotas), quando nos primeiros 12 encontros de 2025/26 só tinha sofrido quatro golos, perdendo uma única vez (dez vitórias e um empate). Em vez de abordar a dificuldade em colocar a equipa a um nível que acompanhe o aumento da exigência competitiva, Farioli aplica de modo quase cego o velho dogma do FC Porto de que o clube luta contra tudo e todos. Pinto da Costa definiu essa estratégia há décadas, como forma de união dos adeptos. Estes, normalmente, aderem à doutrina, mas também não deixam de se manifestar quando o rendimento da equipa não está dentro do exigido. E isso é que devia preocupar Farioli.

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