Há quem se alarme com a falta de respeito pela presunção de inocência e, nalguns casos, de forma hipócrita clame que se promove a criminalização de tudo e mais alguma coisa. A realidade portuguesa revela-se, porém, inversa: o País parece, no mundo atual, uma aldeia de Astérix, onde os poderosos da política e do dinheiro vivem na impunidade.
A corrupção e outras ilegalidades combatem-se e penalizam-se. E as responsabilidades políticas de quem exerce cargos públicos obrigam a prestar contas. Nas duas últimas semanas, além do caso peculiar de dois altos funcionários ucranianos serem presos com algemas numa reunião do governo, lembro-me de que só na Europa foram forçados a demitir-se, por suspeita de provocar prejuízo nos bens públicos, o ministro das Finanças da Roménia, o ministro dos Transportes de Itália e a ministra da Cultura da Croácia.
Em Portugal, há tantos motivos de escândalo na política e na economia como nos outros países com o mesmo nível de desenvolvimento. Porque é que os suspeitos nunca sabem nada e nunca acabam condenados? Só pode ser porque vivem ao abrigo de uma impunidade insolente.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
As sete revisões constitucionais já efetuadas resolveram os problemas.
O alarme já se ouve a muitos agentes económicos.
A insanidade avança todos os dias e sente-se a inquietação na vertigem do apocalipse.
Difícil mesmo será convencer os cidadãos de que "quando o poder político fala é para valer".
Comédia do que se diz e faz ao contrário, raia o ridículo dos filmes de estarolas.
Vivemos num País em que todos os dias há notícias de violência doméstica.