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João Vaz

João Vaz

Redator principal

Realidade apaga retórica

05 de fevereiro de 2026 às 00:30

O rasto de destruição, sofrimento e luto provocado pela tempestade ‘Kristin’ abafou tudo na vida do país. A campanha eleitoral para a Presidência da República viu-se, naturalmente, subalternizada. Com as declarações de Leonor Beleza e Ramalho Eanes a apoiar António José Seguro, impôs-se a convicção de vitória ainda antes dos portugueses votarem. Em contraponto, André Ventura viu a sua retórica rejeitada em inquéritos de opinião. As pessoas disseram que ele perdeu o único debate da 2.ª volta e que o confronto eleitoral é entre um moderado e um extremista, negando duelos de esquerda contra direita ou socialistas versus não socialistas. Pior, Ventura falhou vários disparos nas críticas ao Governo, verberando incompetência e incapacidade na prevenção e socorro às populações, enquanto Seguro já prepara agenda para, em futuras funções, voltar ao terreno “a exigir resultados ao Governo”. A retórica ficou ainda em xeque quando, na visita a uma exploração agrícola, Ventura ouviu o empresário dizer-lhe que na equipa operacional só tinha um português, - o engenheiro responsável-, e os trabalhadores eram todos imigrantes. Sem eles nada se faria, acentuou. É um caso de ir procurar lã e voltar tosquiado. 

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Por um pouco de sonho

A dificuldade de entender o que o Presidente da República pode conseguir marcou todo o debate entre Seguro e Ventura.

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