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Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

Governo de campanha

16 de março de 2017 às 00:30

Ao que parece, António Costa deu indicações ao ministro da Educação para não avançar com a reforma curricular no novo ano lectivo, obrigando Tiago Brandão Rodrigues a recuar depois de este já ter anunciado a flexibilização dos currículos. A preocupação de Costa: não correr riscos nas eleições autárquicas, que acontecem em Outubro. A ser verdade (até ao momento, nem um nem outro desmentiram a notícia), é mais uma confirmação de que António Costa submete a governação do País ao calendário e aos interesses partidários. É óbvio que ele está empenhadíssimo em ganhar as eleições, o que se percebe tendo em conta que, desde que é líder do PS, ainda não ganhou nenhuma. O que não é aceitável é que o faça instrumentalizando o poder, manobrando a condução do País ao sabor do que é mais conveniente para o seu partido e em função do que lhe rende mais votos. Se o governo diz que tem uma boa reforma para os currículos escolares, se acredita no que está a fazer, porque não o assume? A resposta é simples: tem medo, tem duas vezes medo. Medo de que as tais mudanças aos currículos não sejam assim tão boas (críticas não faltam) e medo do impacto que isso possa ter na campanha e nas eleições autárquicas. Infelizmente, este caso não é exemplo único e não vai ser a última vez que António Costa sujeita a acção do governo ao mais descarado eleitoralismo.

A passagem atabalhoada da gestão da Carris para a Câmara de Lisboa, por acaso socialista, é outro exemplo. Assim como a pseudo-reabertura dos vinte tribunais. Ou o aumento extraordinário das pensões que vai cair em plena pré-campanha, em Agosto, tal como o aumento do subsídio de alimentação da função pública. Ou ainda a integração dos precários no Estado, também prometida mais ou menos para essa altura. Enfim, estamos entregues a um governo em campanha ou, dada a fragilidade governativa, a um governo de campanha.

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