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Luciano Amaral

Luciano Amaral

Professor universitário

Inaceutável

21 de setembro de 2026 às 00:30

Quem acha que o noticiário oferecido pela comunicação social é apenas uma sucessão de notícias relevantes sem narrativa incorporada, basta observar a situação dos imigrantes em Ceuta para se desenganar. Quando 70 mil pessoas vindas de Marrocos “invadiram” Ceuta a 30 de Julho, construiu-se imediatamente uma narrativa segundo a qual o espaço Schengen não tinha sido violado e “todos” os “migrantes” tinham sido devolvidos em “24 horas”. Passaram já cerca de mil e duzentas horas (i.e., quase dois meses) e permanece ainda por Ceuta um número indeterminado de migrantes, mas estimado entre 10 mil e 20 mil, para uma população original de 80 mil: ou seja, 15% a 25% da população da cidade é, neste momento, constituída por estas pessoas, que continuam a dormir na praia, na rua ou em abrigos improvisados. Para além da dimensão humanitária, a situação criou um ambiente de enorme insegurança, à qual, na incapacidade das autoridades para controlar o que se passa, os ceutenses reagiram formando grupos de auto-defesa. É o colapso completo da vida política e social. Não há grandes alternativas: para resolver o caos, das dezenas de milhares de migrantes na cidade, uns serão deportados, outros entrarão no espaço Schengen.

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Para resolver o caos na cidade, uns serão deportados, outros entrarão no espaço Schengen.

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