Fado... Chegaram a dizer-lhe que por acompanhar outros artistas à viola nunca ninguém o levaria a sério enquanto fadista ou intérprete. "É verdade que eu sinto isso um pouco, mas nunca abdiquei daquilo que me faz feliz", dizia-me Jorge Fernando à margem da entrevista que lhe fiz esta semana. Talvez por isso poucos saberão que está gravada com a sua voz uma das mais belas canções escritas em português: ‘Chuva’.
Muitos até saberão que ele é hoje um dos compositores mais cantados da música portuguesa, que Fernando Maurício o adorava, que Amália o amava "como filho", que Ana Moura fala dele com eterna admiração e que até os improváveis Sam The Kid ou Virgul já gravaram consigo. Muitos saberão que foi Jorge Fernando quem lançou nomes como Ana Moura, Mariza, Raquel Tavares, Fábia Rebordão, Ricardo Ribeiro ou Filipa Cardoso, mas poucos saberão quem o lançou a ele. Ou pelo menos tentou.
"Fui descoberto pelo Pedro Ayres Magalhães e pelo Miguel Esteves Cardoso para gravar para a nova editora deles", conta. "Só que entretanto a Valentim de Carvalho caiu-me em cima. E eu, entre a Valentim e uma editora que ia abrir, escolhi a Valentim. Só mais tarde é que percebi que a direção que me estava a ser imposta era a de um rapaz bonitinho que podia vender discos às meninas. Essa foi uma das coisas de que me arrependo, de não ter tido a coragem de dizer que não."
Com o tempo soube deitar fora o que o incomodava e construir um nome. Hoje diz que vive encantado com uma nova geração de fadistas, brilhantes em qualquer parte do Mundo. "Já cruzei a minha vida com grandes músicos mundiais e volto-me para dentro porque estou fascinado com esta nova geração." Uma geração que ajudou a crescer.
E é por isso que mesmo que haja quem nem se lembre de ouvir o nome, Jorge Fernando é necessariamente daqueles que têm de ficar na história da história da gente.
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