António Costa bem tentou: assinou um acordo com os parceiros sociais para descer a TSU na esperança lorpa de ter a extrema-esquerda a rasgar compromissos em público. Não aconteceu. A extrema-esquerda chumbou a medida – mas acrescentou rapidamente que não há crise à vista nem eleições antecipadas. Por ela, o governo está para durar. E Costa?
Costa sabe que o tempo urge, a economia portuguesa continua vulnerável aos humores externos (de Trump, de Merkel, do BCE) e que ficar no barco é arriscar naufragar com ele. Mas, ao mesmo tempo, Costa também sabe que saltar fora por capricho, incompetência ou cobardia é um afogamento eleitoral.
No passado, ‘saída limpa’ era a expressão corriqueira para nos livrarmos da ‘troika’. Hoje, ‘saída limpa’ significa outra coisa: o PS ter eleições antecipadas sem ser responsável por elas. Saber como Costa vai resolver este mistério é filme que merece um Óscar.
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O destino do conflito será decidido entre o impulso de parar já e a suspeita de que parar agora pode sair mais caro do que continuar.
O PS tem aqui uma oportunidade única para fazer prova de vida contra o governo.
A saída de Rita Rato da direcção do Museu do Aljube é a discussão errada. A discussão certa seria saber como foi que Rita Rato lá entrou.
Ainda teremos saudades da velha teocracia iraniana.
O estilo lúdico de Marcelo é o melhor de Marcelo: num país ‘engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano’, terei saudades deste jogral.
Desafiar Passos Coelho para as eleições internas do PSD é outra forma de desconversar: transforma um problema de governação num ajuste de contas partidário.