O governo garantiu livros para as crianças do 1º ciclo. A pátria festejou. Mas eis que, em plena quadra natalícia, os directores das escolas vieram avisar que as papelarias e livrarias não foram pagas pelo serviço. Entregaram os livros, sim, e agora estão com a corda no pescoço, algumas em situação de pré-falência.
Existem duas formas de olhar para o caso. A primeira é lamentar mais esta 'cativação' por parte de um governo que usa e abusa do trabalho e da boa fé de terceiros. A segunda é interpretar o gesto à luz do conceito de 'erro de percepção mútua', uma categoria filosófica que define o ano de 2017. Quando o governo disse que ia oferecer os livros, ele não se comprometeu a pagá-los. Fomos nós que, de forma traiçoeira e mesquinha, estabelecemos a relação entre uma coisa e outra.
Eu, se fosse o governo, suspendia a generosidade. Pior do que a pobreza é sermos mal agradecidos.
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