Elá veio a sondagem: diz o ‘Expresso’ que, depois de Pedrógão e Tancos, os portugueses continuam com Costa. O PS sobe. A ‘direita’ desce. Pressinto incredulidade por aí. Não se justifica. Partindo do pressuposto, nem sempre pacífico, de que a sondagem é para levar a sério, ela só comprova a cultura política reinante em Portugal.
Uma cultura onde a qualidade de um governo é aferida pelo bolso de cada um. Quando o bolso está mais cheio, Portugal pode arder – literal e metaforicamente – à vontade. Que se lixe o estado do Estado. O que interessa é o estado do nosso quintal.
Alguns lamentam o cenário. É preferível compreendê-lo: uma cultura de pobreza, sem uma verdadeira sociedade civil independente, só podia produzir uma massa interesseira e manhosa. Esperar exigência deste rebanho, e responsabilidade dos seus pastores, é como acreditar nas 72 virgens paradisíacas.
Uma missão suicida.
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Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.
É só o fim das certezas fáceis.
Eis, finalmente, os três anos de estabilidade e diálogo que o Presidente Seguro tão generosamente nos prometeu.
O destino do conflito será decidido entre o impulso de parar já e a suspeita de que parar agora pode sair mais caro do que continuar.