Passos Coelho tem prazo de validade até às autárquicas. A sério? A ideia corre por aí com a solenidade das grandes certezas. Eu não tenho nenhuma. Verdade que o próprio já afirmou que as autárquicas não são teste para nada. Mas o essencial são as ‘alternativas’ a Passos, que não aparecem – nem, suspeita minha, vão aparecer. O que se entende. A pátria anda em festa.
A economia cresce. O PS pode chegar à maioria. Se não houver surpresas externas (BCE, Grécia, etc.) ou internas (vindas da esquerda ou de Belém), ser líder da oposição é cumprir o desterro do deserto sem perspectiva de um oásis. Quem se atreve ao martírio? No PSD, a tradição não engana: só há candidatos sérios quando há cheiro de poder.
O ‘crédito’ de Passos Coelho é ‘infindável’, nas palavras do imortal Marco António? Não duvido. Quando não existe melhor produto na praça, a velha Cleópatra sempre dá para os gastos.
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Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.
É só o fim das certezas fáceis.
Eis, finalmente, os três anos de estabilidade e diálogo que o Presidente Seguro tão generosamente nos prometeu.
O destino do conflito será decidido entre o impulso de parar já e a suspeita de que parar agora pode sair mais caro do que continuar.