Luís Tomé
Professor Catedrático de Relações InternacionaisEm mais uma visita à Rússia, o Presidente da China, Xi Jinping, saudou o homólogo Putin dizendo que os dois países são “verdadeiros amigos de aço”. No dia anterior às celebrações da vitória da URSS na II Guerra Mundial (em que Xi participou após uma ausência de 10 anos), assinaram uma Declaração Conjunta sobre o Aprofundamento da Parceria Estratégica Global de Coordenação para a Nova Era - querendo “contrariar a política de contenção dupla de Washington em relação à Rússia e à China” – e outra sobre a Estabilidade Estratégica Global, criticando as “atividades profundamente desestabilizadoras” dos EUA no domínio dos mísseis e armas nucleares, incluindo “a recentemente anunciada Cúpula de Ferro para a América”. Xi e Putin apadrinharam também mais de 20 acordos de cooperação bilateral abrangendo desde a “defesa do direito internacional” ao espaço, biossegurança, investimentos e economia digital, anunciando o objetivo de duplicar o valor das trocas comerciais até 2030. A proclamação desta “amizade de aço” mostra o falhanço da estratégia de Trump em aproximar os EUA da Rússia de Putin (hostilizando aliados) para a afastar da China de Xi.
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