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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Brincar com fogo nuclear

09 de fevereiro de 2026 às 00:30

O fim do tratado Novo START sobre redução e limitação de armas estratégicas ofensivas entre os EUA e Rússia - que em conjunto possuem mais de 90% das armas nucleares existentes, capazes de destruir o planeta 15 vezes -, é mais uma demonstração da irresponsabilidade e desfaçatez de Trump e de Putin. O Novo START estipulava números máximos de ogivas nucleares implantadas para disparar de imediato (1.550 cada um) e de lançadores estratégicos, bem como medidas de transparência e verificação mútua. Trump não o quis renovar porque fora assinado por Obama, em 2010 e prolongado por Biden, em 2021, dizendo que pretende um acordo “muito melhor” que envolva também a China - que tem “apenas” 600 ogivas nucleares quando os EUA dispõem de um total de 3.700! Putin, que em 2023 suspendeu a participação russa no Novo START, propôs agora a sua extensão por mais um ano, insistindo em incluir a França e o Reino Unido - com somente 290 e 225 ogivas nucleares, respetivamente, enquanto a Rússia tem 4.309! E assim ficam ambos livres para fazer o que quiserem, relançando a corrida nuclear global, sem controlo, e aproximando o mundo do holocausto nuclear.

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