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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

E3+ europeu precisa-se

24 de agosto de 2026 às 00:30

Apesar do Brexit, o E3 europeu (Alemanha, França e Reino Unido) adquiriu renovada relevância estratégica perante a guerra na Ucrânia, a ameaça russa e a incerteza sobre o compromisso dos EUA, até porque a complementaridade é significativa: França e Reino Unido oferecem forças nucleares e expedicionárias, acrescentando a primeira autonomia estratégica, e o segundo ligação transatlântica, enquanto a Alemanha adita massa económica, industrial e crescentemente militar. O desafio é transformar a convergência episódica numa arquitetura estratégica permanente, sobretudo em defesa aérea e antimíssil, produção de armamento, intelligence, cibersegurança, espaço e dissuasão. Mas mesmo constituindo o núcleo da liderança estratégica europeia, o E3, por si só, é insuficiente: a segurança e a coesão europeias exigem um “E3+”, incorporando sobretudo Polónia (reforça flanco oriental), Itália (acrescenta dimensão mediterrânica e naval) e Ucrânia (linha da frente ante a Rússia), sem excluir outros parceiros e articulado na UE e na NATO, permitindo combinar geografias, capacidades e legitimidade política e evitando, simultaneamente, um diretório restrito.  

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