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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Um ano depois, ainda deve piorar

07 de outubro de 2024 às 00:30

Um ano depois dos ataques terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica Palestiniana contra Israel, a guerra vai muito para lá de Israel e da Faixa de Gaza (arrasada entretanto), alastrando-se por Cisjordânia, Líbano, Síria, Mar Vermelho, Iémen, Iraque e Irão. Aos 1200 mortos e 251 reféns feitos há um ano (incluindo 97 ainda em cativeiro ou já mortos) acresce uma catástrofe humanitária cifrada nuns estimados 50.000 mortos e quase três milhões de deslocados, resultado do uso das populações e infraestruturas civis como “escudo” pelo Hamas e pelo Hezbollah e da desproporcional e brutal “retaliação” de Israel. Ao fracasso da ONU em manter a paz e travar a barbárie soma-se a ineficácia dos tribunais internacionais e o insucesso dos mediadores. Indiferente a todas as pressões, o governo israelita está mais extremista e recuperou popularidade mercê da “decapitação” e degradação das capacidades do Hamas e do Hezbollah, dois proxies do “Eixo da Resistência” iraniano. Depois de décadas de guerra indireta, Irão e Israel estão mais perto do que nunca do confronto militar direto. Decorrido um ano, a situação tende ainda a piorar antes de melhorar.

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