Chegou-me mais um email. A pedir que escrevesse um prefácio para o livro que vinha em anexo. Abri. Livro estranho, que fala dum homem nascido em Inglaterra, crescido em Marrocos e que trabalha em Paris. Pareceu-me, a princípio, ser um livro de piedade. Depois fala de Lao-tse, Confúcio, dos Maias e Aztecas.
"A humanidade, diz, aspira a este encontro com o divino por vezes ficando disposta aos gestos mais loucos." Quis parar, porque não é confortável ler livros em computador. Não consegui. Fui apanhado pela história do autor. Ele não dizia. Era. "Em toda a minha vida aquilo que li mais verdadeiro foi o Evangelho. Para Cristo o amor vem sempre primeiro que tudo." Fala da família, da infância na Argélia, do contacto com a Igreja. Foi para Paris, cidade que o aterrorizou e seduziu.
Depois a leitura dos grandes mestres, o aprofundamento da fé, as desilusões, o contacto com a arte, o teatro, o cinema, os papéis que interpretou ou dirigiu numa centena de filmes. Tocou-o a personagem que incarnou do Irmão Luc no filme ‘Dos Homens e dos Deuses’. Ficaram um só, como acontece em interpretações assumidas até ao cerne.
Lembra Einstein: pensa que "o acaso é Deus que se manifesta incógnito". E Michael Lonsdale - assim se chama o autor - não pára de nos seduzir. O livro ainda talvez se chame ‘O amor tem um Rosto’. O testemunho de um grande homem da sétima arte que compõe um verdadeiro tratado de mística para o século XXI. Acho que quem o ler vai perder o sono, como me aconteceu.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Ninguém se glorie de este vírus lhe não passar pela porta.
A nossa vida anda repleta de perguntas a que às vezes chamamos mistério.
Por muito bons que sejam os nossos horóscopos, do futuro só sabemos que virá.
A natureza sabe o que quer e aceita agora o frio, a chuva e o vento.
Quando parte, o peregrino nunca sabe se volta, mesmo que tenha o regresso marcado.
Sabemos que a comunicação, também a social, nasceu mais para o abraço do que para a agressão.