Baseada num formato espanhol, ‘Ministério do Tempo’ (RTP 1) mistura ficção científica e ficção histórica. Sugere vagamente a aclamada série de ficção científica britânica ‘Dr. Who’, em produção desde 1963. Nesta, viaja-se no tempo através de uma nave em forma de cabine da polícia inglesa; nos ibéricos ministérios é por portas.
Num atavismo ibérico muito típico, a série nacional impõe-nos o sempre presente Estado: cabe a um Ministério do Tempo impedir a alteração da História por malandros como os nazis. Tem três protagonistas: um homem de acção, militar do século XVI, uma mulher inteligente do fim século XIX e, claro, um rapazola de bom coração do nosso tempo, apostado em salvar vidas. É uma versão actualizada do trio do ‘Feiticeiro de OZ’, o leão já com coragem, o espantalho já com miolos e o homem de lata já com coração.
Ao contrário da ficção científica, que reflecte sobre desenvolvimentos maléficos futuros já hoje semeados, aqui só se viaja ao passado (‘Dr. Who’ abandonou essas viagens ainda nos anos 60). O ‘Ministério’ regressa ao passado português para impedir os castelhanos de vencerem em Aljubarrota, impedir a morte de Camões na viagem para o Oriente e impedir Hitler de assinar um acordo com Salazar e copiar as armas do presente: o Estado português é, enfim, um empecilho para o bem e não como de costume.
O contexto histórico vem em pequenas pastilhas nos diálogos, que parecem balões de banda desenhada. Como os portugueses quase nada sabem da sua história, os verbetes são óbvios, mas, mesmo assim, os diálogos explicam-nos com didactismo primário. Era expectável que os três protagonistas se sentissem tentados a visitar o seu próprio passado – e aconteceu nos três primeiros episódios.
Produzir uma série de acção como esta em Portugal, país de gente e artes contemplativas, não é fácil. Tentou-se, mas sem convencer. Os actores não sabem onde meter as mãos, alguns falam para dentro, o herói protagonista do presente é um arrastado a falar e a agir, os efeitos especiais cénicos são medíocres quando comparados com o que chega doutros países, a começar pelo genérico a fazer lembrar uma cópia infantil do da ‘Guerra dos Tronos’. Quando tenta ser dramática, a série não agarra. Quando tenta ser cómica, não faz rir, excepto quando a RTP a apresenta como "a melhor série de todos os tempos".
A construção da narrativa e dos diálogos é demasiado parecida com banda desenhada, o que, no caso, não funciona. Sem convencer, não atrai. A audiência entre o público mais fascinado por séries, dos 15 aos 34 anos, tem sido em média de cerca de 20 mil espectadores ou menos.
Comparando o incomparável
A resolução final do Congresso dos Jornalistas portugueses acumula queixumes sem quase apontar medidas concretas para melhorar o jornalismo nacional. Com generalidades e sem propostas de acção concretas, é banal e inútil. As poucas medidas concretas propostas visam o funcionamento das redacções e a defesa dos seus direitos laborais. Nada diz sobre a relação dos jornalistas com as instâncias do poder. Foi deliberado.
Como escreveu este ano a jornalista francesa Aude Lancelin, despedida por ser independente, "a imprensa tornar-se-á a única actividade a extinguir-se por se ter obstinadamente recusado a dar aos seus compradores o que eles tinham vontade de encontrar".
Canais cabo abaixo da linha de água?
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