Mais de 1,5 milhões de espectadores viram a reportagem da TVI sobre dois homens que vivem sob um viaduto na Cruz Quebrada. Durante meia hora, a peça mostrou o quotidiano de Fernando e Juan, os dias e as noites, a higiene, a alimentação, a volta pelos caixotes à procura de metal e outros bens, a visita duma filha de Fernando, o apoio de vizinhos vivendo do lado de lá da Estrada Marginal. A equipa da TVI esteve com eles várias vezes durante algumas semanas.
Trata-se do jornalismo chamado de interesse humano. Pretende comover — e comove. A ideia central, ou a razão moral da reportagem, era a de que estes homens não nos fazem mal, "são como nós", honestos, dignos, gostam de familiares; embora isso ficasse inexplicado, são "vítimas" da "sociedade", são "párias" sem o desejarem. Totalmente centrada no dia-a-dia dos dois homens, a reportagem não saiu daí. Não deu o salto, como faz o jornalismo de sociedade, para o tema geral dos sem-abrigo e de como a "sociedade" lida com a questão. Também ficou por explicar como chegaram ali Fernando e Juan, se optaram deliberadamente por aquela vida, como sucede com outros desalojados (no dia seguinte, a sequela da reportagem referiu que um filho de Fernando lhe deu abrigo e ele preferiu sair de casa). Mas, quando se pretende fazer jornalismo de emoções, as explicações são desnecessárias e até inconvenientes. Bastam lágrimas e suspiros.
No dia seguinte, a TVI fez uma reportagem sobre esta reportagem, com o típico amor-
-próprio e exibicionismo da televisão: o tema preferido da TV é a própria TV. Arranjou um jantar (pagou?) aos dois sem-abrigo e vizinhos para eles assistirem à reportagem, filmou as lágrimas e celebrou a "solidariedade" — palavra que hoje encobre o que sempre se chamou caridade — gerada de um dia para o outro pela TVI. No fim de contas, todos beneficiaram: um "movimento de solidariedade" nasceu para ajudar os dois homens, e a TVI reforçou o seu "rosto humano" e aumentou as audiências do seu noticiário.
Curiosa duplicidade: muitos dos que condenam o conceito da caridade decerto apreciaram esta eficaz caridade em horário nobre. Os pobres ficam bem na televisão, do lado de lá do ecrã, em especial se "forem como nós", se não ameaçarem a sociedade e aceitarem as "nossas" regras de vida: ajudemo-los a serem pobres com melhores condições de vida. Se a TVI fizesse uma reportagem destas por dia, diminuía sistematicamente a pobreza em Portugal, mas cansaria os espectadores. Prejudicar-se-ia se fizesse caridade a mais.
Animal feroz, advogado feroz
A má-criação, brutalidade e machismo de João Araújo, um dos vários advogados de Sócrates, contra o CM e a CMTV, na pessoa da jornalista Tânia Laranjo, e contra o jornalismo em geral (a "canzoada"), culminou a tripla estratégia do recluso 44 de Évora: encontrar um bode expiatório e desviar as atenções das suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal; adoptar o comportamento de advogado "animal feroz" para agradar ao cliente e, de novo, desviar as atenções; mobilizar o que resta do apoio popular ao prisioneiro, adoptando um comportamento de militante político e não de advogado. Desta vez foi longe demais e obteve os efeitos contrários. Vai ter de baixar a bola. O povo não é parvo.
Lista VIP de malcriados
A propósito de malcriados: vai um vendaval no Reino Unido por causa dos excessos politicamente incorrectos do apresentador do famoso programa automobilístico Top Gear: deve ou não a BBC demiti-lo? Justificam a sua fama e o êxito do programa que ele tenha tratamento especial e perdão? Um belo assunto de debate.
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