Os brasileiros chamam "hediondos" aos crimes especialmente graves e censuráveis, reservando-lhes a pena mais severa: prisão até trinta anos. Hediondos terão sido os homicídios alegadamente cometidos por Dinai Mendes contra a sua companheira, Michele, a irmã desta, Lidiana, e uma amiga, Thayane, jovens com idades compreendidas entre dezasseis e vinte e oito anos.
Os corpos destas três jovens brasileiras, desaparecidas há meses, foram agora encontrados em Tires, na fossa de um "hotel" para cães e gatos. O suspeito Dinai, seu compatriota, debandou há muito para Minas Gerais, onde, para desespero de qualquer "Clint Callahan", aguarda em liberdade o resultado incerto das autópsias a cadáveres em estado de decomposição avançado.
Michele estava grávida do suspeito, que lhe teria prometido casamento, ocultando o seu estado civil e a mulher e os filhos deixados no Brasil. Dinai, que nunca terá lido Saint-Exupéry e não deve saber que somos responsáveis por aqueles a quem cativamos, respondeu ao amor com um crime sórdido, praticando também um aborto ao matar o seu próprio filho por nascer.
Não podemos levar a mal a alguém que faça esta pergunta incómoda: o monstro que fez isto merece viver? Trinta anos (mais do que os vinte e cinco prometidos pela lei portuguesa, que não perdia em ser revista) bastam para expiar uma culpa tão pesada? Se eu fosse juiz, confesso que faria tudo para desculpar o pai ou a mãe que, por emoção violenta, liquidassem o carrasco.
Porém, desculpar (sem justificar) por não ser exigível conduta diversa não equivale a autorizar uma execução a frio.
Resta-nos aguardar pelo julgamento no Brasil (não pode haver extradição para Portugal, tal como não poderia haver extradição para o Brasil na situação inversa), esperando que nenhum pretexto "burocrático-garantista" permita a Dinai fugir uma vez mais.
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