Começou por surpreender pela positiva. Percebeu depressa que não havia alternativa à geringonça, renunciou à criação de factos políticos e vestiu o fato dos afetos - ajustado a um país onde persistem a pobreza e a iliteracia. Assumiu o poder moderador nos fogos e na pandemia, mas não logrou mobilizar o País para uma grande causa. Depois, a geringonça caducou, consumou-se a alternância e ele descobriu que fora feliz outrora agora. A placidez da função reavivou-lhe o gosto pelo comentário e pela construção de cenários. O fato dos afetos não resistiu ao abuso das selfies. Que nota dará o Professor Marcelo ao Presidente? Terá piorado com os anos? Apressou-se a interromper dois ciclos políticos, provando que nem sempre a rapidez é uma virtude. As suas palavras recentes evocam um testamento com boas intenções, mas sem deixas de bens. Ao homenagear Carter, talvez exprima o desejo de se encontrar ainda com a História. Na passagem de testemunho, dizem que a sua preferência vai para Marques Mendes, mas não poderia estar a fazer melhor campanha por Gouveia e Melo. Seria essa a pior avaliação, feita por um eleitorado à procura da sua antítese.
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