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Tânia Laranjo

Tânia Laranjo

Jornalista

Deixados para trás

19 de fevereiro de 2026 às 00:30

Há dias que há pessoas sem luz, sem água, sem comunicações - invisíveis para quem decide. Há três semanas que há famílias sem telhado, sem sala, sem quarto, a dormir onde podem, enquanto relatórios se acumulam e promessas se repetem. Há quem tenha perdido tudo e quem esteja a perder a esperança. E há mortos: porque subiram sozinhos a telhados que ninguém veio reparar; porque atravessaram estradas alagadas sem um único aviso, sem sinalização, sem prevenção. Falhou o planeamento, falhou a resposta, falhou a coordenação. Falhou a capacidade de antecipar e de proteger. Não basta lamentar nem anunciar apoios que tardam. É preciso assumir responsabilidades, corrigir erros e garantir que a ajuda chega a tempo. Porque a tragédia não é só a tempestade: é quando quem precisa se sente deixado para trás.

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