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Tânia Laranjo

Tânia Laranjo

Jornalista

Pagar para dizer adeus

02 de julho de 2026 às 00:30

Na Venezuela, o resgate de cadáveres é, em muitos casos, uma responsabilidade privada. O Estado demite-se dessa obrigação e cabe às famílias, se tiverem dinheiro, contratar quem recupere os corpos dos seus familiares. Quem não pode pagar espera. É uma realidade difícil de imaginar para quem vive num Estado de direito, onde a dignidade humana não deveria terminar com a morte. É o retrato de um país onde até os direitos mais básicos foram transformados em privilégios reservados a quem tem recursos. Criticamos, e bem, o SNS todos os dias. Mas convém não perder a perspetiva. Mesmo com problemas, continua a ser infinitamente mais justo do que um sistema em que a vida, a saúde e até o último adeus dependem da carteira. Há realidades que mostram o que acontece quando o Estado abdica completamente das suas responsabilidades.

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