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Tânia Laranjo

Tânia Laranjo

Jornalista

Todos juntos sem ser iguais

09 de junho de 2026 às 00:30

É impressionante a massa humana que segue o Papa. Horas ao sol, ruas cheias, vozes em coro, gente que espera só um instante para o ver passar. Num tempo em que tantas causas parecem incapazes de mobilizar multidões, esta continua a fazê-lo. Mas o mais marcante não é o número. É a convivência. Há histórias de vida diferentes, línguas que não se entendem à primeira, culturas de pontos opostos do Mundo. Ainda assim, há uma linguagem comum que dispensa tradução: o respeito, a partilha e a esperança. Em Madrid, o Papa deixou também recados aos que mandam nisto tudo. Lembrou que a fé não pode servir de pretexto para divisões, exclusões ou conflitos. Não há guerras de fé. Não faz sentido rezar de manhã e defender a intolerância à tarde. Entre aplausos e cânticos, a verdadeira lição talvez seja esta: é possível estar junto sem ser igual. 

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