Há frases, agora 'bytes', que ficam na memória. Frases curtas, com impacto, facilmente memoráveis. Em 1975, no histórico debate entre Soares e Cunhal, o líder do PCP respondeu a Soares com o 'baite' (grafia portuguesa) que ficou para a História: "Olhe que não, doutor, olhe que não!" Foi o que ficou na memória de milhões de portugueses das 3 horas, 40 minutos e 52 segundos que durou o debate da RTP. Hoje, alguém se lembra porque é que Cunhal assim reagiu? Pois foi o repique à acusação de Soares de que Cunhal queria instituir uma ditadura em Portugal. A memória é assim: ficam os 'baites', esquece-se o enquadramento e o conteúdo. Com as redes sociais, a memória piorou. Vencem os 'baites'. Dos debates entre Seguro e Ventura, ficam meia dúzia de ideias gerais. Seguro agarrado à "estabilidade institucional" e a "política do empadão" de Ventura. O líder do Chega martelando a tecla dos "portugueses em primeiro lugar", mais "os políticos corruptos" e/ou "do sistema". Ninguém se lembra de nenhuma proposta concreta dos candidatos. Entranham-se sim as famosas 'percepções'. Um 'baite' que emociona um jovem de 20 anos pode não fazer sentido para quem luta por uma operação no SNS. Escutados os 'baites', há quem solte a pronúncia do Norte com um "baite mas é..."
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