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No dia 28 de Novembro, o governo de Pristina quer declarar a independência do Kosovo. Afirma-se farto de esperar pela ONU, pela UE, pelo fim do veto russo, pelo fim das indecisões nos EUA.

Alguns temem o aparecimento de mais um “estado islâmico”, no centro da Europa. Outros acham que esta é a consequência, natural e previsível, da “auto-determinação dos povos”.

Dan Fried, o “senhor Europa”, no Departamento de Estado americano, disse-me esperar outra coisa. Fried conta com mais paciência dos albaneses Kosovares, mais negociações, mais moderação. E espera que Washington possa ter uma política comum à Europa, numa área tão crítica.

Nesse dia, porém, em Londres, o director político do mesmo Departamento de Estado, Nicholas Burns, afirmava a Steven Sackeur, do programa “Hard Talk”, algo diferente. Explicava que a independência Kosovar era inevitável, e que o reconhecimento da mesma pelos EUA, ainda que unilateral, também era.

Já há, aliás, uma bem montada organização americana (Aliança para o Novo Kosovo, dirigida por Sam Hoskinson e pelo ubíquo Frank Carlucci, acessível em http://www.newkosovo.org), a explicar os fundamentos do novo estado balcânico.

A MEMÓRIA E O RESTO

Lembremos que, sem mandato explícito da ONU, a NATO interveio no Kosovo, antes do fim do milénio, guiada por políticos “de esquerda”.

Incluíram Jochka Fischer e Bernard Kouchner, Tony Blair e Bill Clinton, o socialista Javier Solana, e o ex-comunista Massimo D’Alema. Tratava-se, como lembrou então o governo Guterres, de proteger a milenar cultura albanesa, nascida na Ilíria, e a opressão sérvia sobre os seus descendentes.

Não se tratou assim de uma guerra “imperialista” típica, e como se viu da queda de Milosevic, a Jugoslávia sérvia era inviável. O problema, porém, continua.

O Kosovo é uma micro-nação de maioria albanesa, potencialmente remediada, com boas cabeças (alguns dizem estar ali a verdadeira intelectualidade da Albânia), mas com uma forte minoria sérvia, que também tem direito à vida, à dignidade, à língua e ao futuro.

Qualquer solução de independência terá de respeitar este direito, e daí que a “inevitabilidade”, atrás descrita por Nick Burns, precise, sem ameaças nem boicotes de terceiros, de um grão de sal, que não agrave o sal das feridas.

É que o Vae victis (”ai dos vencidos”) não pode ser a base de uma política “humanitária”.

DILÚVIOS E PROMESSAS

Estreia, em breve, o filme catástrofe ‘Flood’, baseado num romance de Richard Doyle: e se a barreira do Tamisa cedesse, e Londres desaparecesse, num dilúvio? As inundações catastróficas, no “primeiro mundo” inglês, tornaram o cenário mais plausível.

Em Israel, ramo de oliveira trazido pelos MNE’s da Jordânia e Egipto. No Iraque, morticínio entre adeptos do futebol: o terror odeia desportos pacíficos. Ainda ali, possível terceira ronda de negociações entre americanos e iranianos: mesmo com os dentes cerrados, falar é um começo.

Mas convém moderar as ilusões sobre o desfecho.

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