Mil anos antes de Cristo celebrava-se a Páscoa (“Pessach”, passagem). Jesus Cristo, que era judeu, celebrou-a antes de se ter transformado no centro e objeto de uma nova Páscoa que assinala a sua vida, morte e ressurreição – e que o cristianismo nunca soube como situar numa escala que vai da angústia da morte à alegria do regresso (tal como o judaísmo hesita entre a ‘passagem’ do anjo da morte no Egito e a ‘passagem’ libertadora pelo deserto). Mais do que uma experiência literária, a leitura dos Quatro Evangelhos é uma tentativa comovente de estabelecer a biografia de Cristo; os seus autores (Mateus, Marcos, Lucas e João) também hesitam – há um Cristo disciplinador e um outro ironista; um herdeiro da tradição e um criador que espalha a desordem entre as oligarquias e as ideias velhas. No fundo, hesitamos todos. A Páscoa é um lugar de hesitação entre o inverno e a chegada do verão, entre a vida e a memória mais amarga, entre o pão ázimo e o almoço de família, entre o sábado e o domingo. Entre nós e os outros.
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