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Mas agora acha que nem sequer são doentes, pelo que não se percebe porque diz que nós não os tratamos e insiste que ele próprio os quer tratar.

As suas motivações são por demais evidentes, mais ainda agora que a extinção do IDT parece ser o momento adequado para se pôr a jeito para o papel que sempre ambicionou.

Por isso, há que encontrar alguém que faça de caixa-de--ressonância desta pretensão. Ora aí está o Juiz Desembargador Rangel, "Vice-Presidente do Conselho Superior de Opinião da Associação por um Portugal Livre de Drogas", que decidiu vir a terreiro, na semana passada, vender o peixe do outro (Presidente da dita Associação). Primeiro no ‘Justiça Cega’, da RTP, depois nas páginas do CM de 9/02. E se, ao outro, ninguém liga, ao Juiz os nossos profissionais reagem com indignação. Revela, também ele, um total desconhecimento, quer dos fundamentos científicos, quer da evolução das respostas em Portugal, quer ainda dos progressos obtidos nos indicadores de saúde; opina sobre assuntos que manifestamente desconhece, mas fá-lo com a pesporrência de quem fala de cátedra. Enfim, cultiva o "achismo" que tanto condenou noutros momentos.

Mas tem razão em opinar sobre tratamentos. Vingue-se. Nós, da Saúde, também opinámos acerca do quadro legal; propusemos a descriminalização dos consumos… Foi aceite e resultou; são inegáveis os progressos alcançados nos indicadores relativos aos problemas da droga e da toxicodependência em Portugal, sendo hoje objecto de estudo em todo o Mundo.

Mas agora a palavra de ordem é privatizar. O desmantelamento do IDT poderá abrir espaço a que alguns privados, como fizeram há décadas, voltem a ser a outra face da exploração dos dependentes (explorados pelos dealers, esmifrados pelos tratadores); daí o regozijo do Juiz pela "morte" do IDT. Mas, afinal, se os Serviços se extinguem, os Profissionais que tanto fizeram pelo "Modelo Português" não se exterminam tão facilmente…

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