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Lola era o nome da personagem de Anabola em ‘A Mulher do Senhor Ministro’, a comédia que, em meados dos anos 90, com ela criei e produzi.

Não tenho dúvidas de que se Lola ainda andasse por aí, pendurada na laca do seu cabelo armado, encontraria no panorama português actual muito alimento para o humor e a sátira.

Lola gostaria certamente de ser mulher de Vítor Gaspar, o homem que manda em Portugal. Álvaro Santos Pereira proporcionaria melhor ‘boneco’, mas a progressiva erosão do seu poder frustraria as ambições da personagem. Também não apreciaria viver com Pedro Passos Coelho, entalado entre a troika e o fundamentalismo de Gaspar. Valorizaria a sua seriedade, mas lidaria mal com a paixão que ele alimenta por Angela Merkel.

Com Cavaco Silva, muito menos. Embora o brilho da Presidência a seduzisse, dificilmente se ajustaria a alguém cujo percurso se faz com mais curvas do que uma sinuosa estrada de montanha. Alinhar com Seguro angustiá-la-ia. Ficar longe do Poder converter-se-ia num tormento, tanto mais que as ameaças ao lugar de secretário-geral do PS se avolumam, agora que António Costa se deixa ir transformando em novo redentor do universo socialista.

Quanto a Sócrates, nem pensar! Mesmo a perspectiva de vida em Paris não a atrairia. Não é que a incomodasse não se perceber de onde vêm os rendimentos para tal, mas o nome a arrastar-se nos jornais e a ecoar em salas de tribunais, apesar da protecção de que tem gozado nas instâncias judiciais, representaria futuro pouco auspicioso. "Rica, mas com transparência", diria ela. A opção seria, pois, por Gaspar e pela partilha do naco de poder que os nossos credores o autorizam a trazer no bolso.

Lola divertir-se-ia a aconselhar o marido a ser mais compreensivo para com os colegas, nomeadamente o da Economia, e a dar-lhe hipótese de brilhar com afirmações como a que ele fez, agora, sobre os fundos do QREN: que devem servir para criar empregos e não para construir rotundas. Daria solução criativa à gaffe com o duplo pagamento à Lusoponte e encontraria uma saída airosa para as elevadas tarifas da electricidade, confrontando Gaspar e Passos com a necessidade de optarem entre estar ao lado das populações ou defender as grandes empresas.

As PPP, com nova derrapagem de 280 milhões, não lhe tirariam um minuto de sono, dado serem uma gota na imensidão do buraco. Os problemas da Saúde não passariam de uma maçada e disfarçá-los-ia proporcionando ao País uma oportuníssima corrida entre os partidos para saber qual deles tira mais vantagens de um inquérito ao BPN.

Enfim, no meio de tanta tristeza, descobrir-se-ia que, afinal, o País também pode rir ou sorrir. Por enquanto, isso não paga imposto.

Brincadeiras de miúdos

O essencial no caso BPN é perceber como se gastaram milhões com a nacionalização decidida por Sócrates e Teixeira dos Santos e se cobra tão pouco com a reprivatização feita por Passos e Gaspar. Ridícula a corrida à comissão de inquérito. Falta de sentido de Estado pago com dinheiro público.

Nem por encomenda

Jorge Jesus pediu e o sorteio da Champions fez-lhe a vontade: no caminho do Benfica surge o Chelsea. O treinador, tendo o que queria, aumentou o peso da responsabilidade. Afactura ser-lhe-á apresentada: o clube inglês já não é o que foi com Mourinho, mas continua na primeira linha da Europa. Boa sorte!

Bocas de 'Mel e Fel'

Nilza Rezende é a autora do livro em epígrafe. Uma bela narrativa revestida com o mel e o fel do amor. Esta escritora, natural do Rio de Janeiro, com 52 anos, volta a demonstrar por que a crítica se rendeu ao seu primeiro romance, ‘Um Deus dentro dele, um Diabo dentro de mim’, de 2003. Conselho: ler.

Notas

15: Ricardo Sá Pinto

É o novo herói. Os sportinguistas levam-no em ombros. Acreditou e conseguiu: o Sporting eliminou o City brilhantemente. A equipa transfigurou-se.

9: António Borges

Como conjugar cargo de gestor em grupo económico com presença em comissão para as privatizações e PPP? Falta de juízo geral.

9: António José Seguro

As notícias que não deixam esquecer o pior de Sócrates e as ambições não definidas de António Costa não lhe dão descanso. É um líder entalado.

7: Vale e Azevedo

O antigo presidente do Benfica vai finalmente regressar a Portugal. Um tribunal inglês decidiu, ao fim de anos, extraditá-lo. Espera-o a cadeia.

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