Há duas amostras representativas da população portuguesa, submetidas a diferentes cálculos, fornecendo números diferentes: a audimetria da Marktest e a da GfK, esta contratada pela entidade representativa da indústria, a CAEM, dominada pelos que mais beneficiaram pela mudança.
Vendo o quadro, percebe-se a situação. Os números de 2013 até sexta-feira revelam profundas divergências. Há mais 362 mil espectadores de TV em média na GfK do que na Marktest. Nos canais de acesso livre a diferença é de 150 mil espectadores, ou mais 15% de tempo a vermos os quatro. Quanto mais espectadores, mesmo fictícios, mais receitas e tops na imprensa que colabora na mentira. Os que mais mandam na CAEM foram os que mais beneficiaram com a mudança.
O canal comercial do Estado, RTP 1, perde 12,5% de audiência de uma audimetria para a outra. A RTP 2 sobe, mas no conjunto os dois canais saem a perder. Já os canais comerciais privados, que a CAEM claramente favorece, tiveram ganhos na "secretaria" com a mudança da audimetria oficial. A SIC "ganha" mais de 25% de assistência em 2013 e a TVI 15%. Comparando a audiência dos canais entre si, pelo share, a RTP 1 perde 4,8% da Marktest para a GfK, a SIC ganha 0,6% e a TVI 1,8%.
A SIC está satisfeita com a audimetria ficcional; a TVI cala-se, por beneficiar em total de espectadores. A RTP, que não se opôs como devia, quer agora juntar-se ao ganho de "secretaria": ao prever "aumentar" o share para 22%, o presidente da RTP conta com martelada nos números, dos 14,6% da GfK para um valor próximo dos 18,8% da Marktest. Juntando à martelada programas populistas sem interesse público, conta chegar a uns 20% de share. E assim se vai fazendo a história da TV em Portugal. Questões como esta são sempre escondidas pelos que a fazem. E falar disto incomoda-nos, pois o capitalismo sem regras, corporativo, em que interesses privados comuns se sobrepõem à concorrência saudável, não quer que os cidadãos saibam como são enganados.
A VER VAMOS
O GOVERNO REFÉM DE RELVAS: EM CADA ESQUINA UMA GRÂNDOLA
As imagens de Miguel Relvas perseguido por corredores ultrapassam o valor factual da acção com métodos antidemocráticos de um grupo de estudantes e políticos anarquistas, do BE e do PCP. Elas simbolizam a impossibilidade de Relvas governar, porque se um político não pode falar (e em democracia falar é mais de metade da política) deixa também de poder agir. Em Julho escrevi que manter Relvas no Governo representava "a derrocada moral do Governo no espaço público". Aí está. Agora há uma Grândola onde houver um ministro qualquer: em cada esquina um adversário do Governo. Já 9 999 998 portugueses perceberam isto. Só dois não: Relvas, que não se demite; e Passos Coelho, que não o demite, por razões obscuras.
JÁ AGORA
ESTAMOS MESMO FEITOS AO BIFE
Nos três canais generalistas não pára o tsunami de programas usando celebridades e "conhecidos". A celebridade, real ou fabricada, tornou-se uma mercadoria da indústria mediática. O chamado "serviço público" da RTP 1 insiste agora no estafado modelo com ‘Feitos ao Bife’, adaptação de um formato comercial inglês de uma pobreza e primarismo que não merece ser paga por nós.
Texto escrito com a antiga grafia
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Por Carlos Rodrigues
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