page view

Por causa de Lopes e de Rosa Mota, os portugueses gostam de pensar que esta é a corrida mais importante do atletismo. Não se podem comparar provas. E, a comparar, os 100m têm a primazia, são a raiz do resto. Todas são variantes da mesma intenção: correr o mais depressa determinado percurso. E a corrida dos 100m é a mais rápida.

A maratona é outra coisa. Desde logo, a carga simbólica. Tão simbólica que foi inventada. Nunca houve um Filípides que, da Maratona, tivesse corrido a avisar Atenas que os Persas tinham sido derrotados. Heródoto contou a batalha e não contou o feito que deu origem à corrida. Mas é uma bela lenda.

O que torna especial a maratona é a sua identificação com o esforço. As outras provas são a graça, esta é a dor. E, por vezes, a desgraça. Começou com a lenda: Filípides não entra de braços no ar em Atenas; cai agonizante. O nosso Francisco Lázaro morre de insolação em Estocolmo (1912). E o maior dos maratonistas, o etíope Abebe Bikila (ouro em Roma, 1960, descalço!), morreu numa cadeira de rodas depois de um acidente.

Mas ninguém representa mais a tragédia da maratona do que o japonês Kokichi Tsuburaya. Treinou-se como um forçado para ganhar em casa, Tóquio (1964). Ficou terceiro. No dia seguinte atirou-se de novo ao treino por quatro anos. Nas vésperas dos Jogos seguintes, desacreditou, escreveu um bilhete e matou-se. O bilhete dizia: “Não corro mais.”

Por isso, não se deve desejar vitória aos maratonistas de hoje. Mas tão-só: “Façam o favor de ser felizes.”

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Heróis do Mar

Portugal está presente em cada cidade onde a portugalidade e os portugueses estejam.

Que lástima, André

Presidente do FC Porto não é o que parecia, para desilusão de muitos e espanto de quase todos

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8