A devolução, sem promulgar, do decreto, que autorizaria o casino no Parque Mayer, é um direito político e constitucional do Presidente. Ninguém contesta que o exerça e torna--se eloquente que aconteça num dia em que, na Assembleia, a Comissão de Inquérito à actuação do Governo na Polícia Judiciária teve um epílogo inenarrável: Depois dos deputados da oposição entrarem em greve, recusando prosseguir nos trabalhos se as suas condições não fossem aceites, os representantes da maioria fizeram ‘lock-out’, sem sequer se preocuparem com um relatório final.
No mesmo dia, Sampaio fez doutrina de manhã, chamando para si a opinião pública, passou a tarde a convocar os líderes partidários para uma reunião na próxima semana e esperou pela noite para anunciar o seu veto. Foi um dia em cheio. Só se espera que depois de tanta discrição não embarque na voracidade mediática que está a tornar luta partidária numa autofagia. Portugal necessita mais de trabalho discreto que ver políticos sedentos de visibilidade acabarem queimados por falta de vergonha.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.