No mesmo jornal do México, um mexicano de ‘sombrero’ diz, numa tira humorística, que o México derrotou o Irão com o “Cielito Lindo” e há-de vencer “os filhos de “Memín Pinguín” com ‘El Son de La Negra’, uma canção ‘mariachi’ de amor a “una negrita”.
“Memín é, desde 1947, um ícone na caricatura do México, apesar de grosseiro estereótipo dos negros. Nasceu pela mão de Yolanda Vargas Dulché, escritora de novelas, que desenhou ‘Memín’ como garoto de pele negra, olhos desmesurados, lábios grossos, orelhas grandes, todos os sinais com que o mundo dito civilizado caracterizou o africano negro.
‘Memín’ continua famoso. Apoia a selecção mexicana no Mundial, é ‘candidato’ à presidência do México, e foi estampado em selos de correio. O fenómeno chegou aos Estados Unidos, a Casa Branca pediu a extinção do estereótipo, o reverendo Jesse Jackson falou de racismo, o presidente do México, Vicente Fox, entrou na polémica e o filho de Yolanda, em defesa da mãe, teve de lembrar que “os mexicanos são todos mestiços”.
Ok, pode ser tudo um equívoco, mas, hoje, eu gostava de ver o semba angolano a impor-se ao ‘El Son de La Negra’. Talvez com aquela canção de Paulo Flores que diz …”Angola, tu és Capaz”.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Por Carlos Rodrigues
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.