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O jornal ‘Público’ voltou à carga com os projectos na Guarda de José Sócrates, aquelas casas inenarráveis que ele alegadamente ajudou a erguer nos anos 80, e que colocam a sua estética mais ou menos ao nível da sua ética. As notícias têm toda a legitimidade, e qualquer país com uma democracia decente tem o dever de escrutinar o passado e o presente de um primeiro--ministro. Mas Sócrates decidiu responder à notícia com a táctica habitual de negar tudo sem explicar coisa alguma, pincelando as não-explicações com um sarcasmo que diz tudo quanto ao seu sentido de Estado e ao seu respeito pela Comunicação Social.

O que disse ele, afinal? Falou numa 'interessantíssima agenda jornalística' do ‘Público’, convidando o diário a 'revisitar as década de 70 e 60' da sua vida, 'onde não deixarão de encontrar uma qualquer história' que faça manchetes, à luz dos seus 'exigentíssimos critérios'. É um palavreado muito divertido, e de facto são tantas as suspeitas de trafulhice que sobre ele recaem que mais vale rir do que chorar, mas vale a pena sublinhar esse espantoso conceito de José Sócrates que é o da 'prescrição ética': já foi há muito tempo?, Então não me chateiem.

Mas é preciso chatear. Chatear muito. Chatear sempre. É preciso dizer que assinar 21 projectos no espaço de dois anos, quando tinha exclusividade na Assembleia da República, e alegar que todos eles foram feitos 'a pedido de amigos', mostra uma bondade de coração e um desejo de fazer proliferar a casa de emigrante que impressiona qualquer um. E dizer também que transformar uma notícia válida em piadinhas foleiras e em ataques a jornais é primário e boçal. Em 25 anos de democracia, ninguém fez tanto pelo desprestígio da política em Portugal. À falta de melhores competências, talvez seja desta forma que José Sócrates pretenda assegurar o seu lugar na História.

AMOR À PRIMEIRA VISTA: UM BANQUINHO, UM VIOLÃO E... UM FADO

António Zambujo é um dos mais fascinantes fadistas da nova geração, com um estilo muito próprio que mistura a canção de Lisboa, ressonâncias do cante alentejano e ainda o cantar suave que João Gilberto inventou ao fazer nascer a bossa nova. Zambujo apresenta o seu novo disco, ‘Guia’, na próxima quarta--feira, no Teatro São Luiz, em Lisboa. Vale muito a pena ir lá ouvi-lo.

15 SEGUNDOS DE FAMA: HERMAN 2010

Para quem, como eu, cresceu nos anos 80, a dívida para com Herman José é enorme: foi com ele que aprendemos a rir. As vicissitudes da vida, as falhas na gestão da carreira e a crueldade do meio televisivo levaram ao afastamento dos ecrãs de um dos maiores comunicadores portugueses, sem dúvida o nosso mestre do improviso. O regresso de Herman, agora na RTP, é uma belíssima notícia.

ENTREVISTAS IMAGINÁRIAS

'CONHEÇO CENTENAS DE PALAVRAS ACABADAS EM 'ING'': António Mexia, Presidente da EDP

– É ou não uma imoralidade uma empresa monopolista com capitais públicos pagar ao seu presidente 3,1 milhões de euros num único ano?

– Já disse e repito: os salários foram fixados pelos accionistas num contexto de benchmarking.

– Mas não acha que essa justificação tem o problema de ninguém fazer ideia do que é o benchmarking?

– Não, meu caro. Pelo contrário. É por eu saber o que é o benchmarking e centenas de outras palavras técnicas acabadas em 'ing' que recebo 3,1 milhões de euros enquanto o senhor só está aqui a fazer perguntas parvas. Aliás, estava capaz de apostar 0,01% do EBIDTA da EDP em como você não conhece mais do que uma dúzia de palavras acabadas em 'ing'. Mas, pensando melhor, também não deve saber o que é o EBIDTA.

– Sei, pelo menos, que se o rato Mickey estivesse à frente da EDP a empresa não deixaria de dar lucro.

– E então? Sabe quantos milhões o rato Mickey já deu a ganhar? Pfff, você não percebe mesmo nada de economia.

SINAIS DE TRÂNSITO

PAULO PORTAS, EX-MINISTRO DA DEFESA

Túnel: É giro ver como os políticos que parecem saber tudo de tudo quando governam passam a saber nada de nada quando a justiça põe em causa a sua governação.

MARCELO, COMENTADOR NO DESEMPREGO

Vento lateral: O homem tem audiências. Tem influência. E continua no desemprego. Eis um bom exemplo que quão livre é o nosso mercado e tão bela a nossa liberdade de expressão.

LIONEL MESSI, FUTEBOLISTA

Estádio: Por muito amor que se tenha a Cristiano Ronaldo, já não há como negar que o melhor jogador do mundo pós-Maradona vive em Barcelona e tem 169 centímetros de puro génio.

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