Casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, e Cavaco Silva quis ter razão no meio desta barafunda, em que cada um grita mais alto do que o outro. Aliás, ninguém se pode entender quando o jogo não está subordinado aos interesses do País, às condições objetivas da crise financeira e económica e aos pressupostos mais gerais que determinaram este tempo de dificuldades e equívocos.
A zaragata ainda vai no adro. Sabe-se que a situação do País ainda se vai agravar antes da tão desejada recuperação, e o tempo é de vinho e mel para todas as demagogias, mistificações, espetáculos, cada vez mais burlescos, sobre quem pode salvar Portugal. Mas falta grandeza para esse desafio. A luta a que assistimos, ou a discussão que ouvimos, só tem um objetivo: a tomada do poder seja a que preço for, ou mantê-lo seja a que preço for, enxotando culpas e mais culpas para cima dos adversários. É a nossa herança tridentina. A culpa é sempre dos outros. O discurso político destes últimos dias é a expressão mais desastrosa e infame desta falsidade substancial e definitiva. É que chegámos onde chegámos, à miséria que nos retirou soberania, à ruína que nos impôs condições humilhantes, pela simples razão de que não há inocentes em toda esta história.
Salvar o País não se resolve com um ato eleitoral, embora não tenha nada contra. Salvar o País obriga a sermos maiores do que somos, assumirmos a responsabilidade coletiva, encontrar um caminho mediamente comum onde nos poderíamos encontrar. Sem essa grilheta da culpa que tudo despedaça e recusa o compromisso. Onde o protesto se esvai no protesto, assim como os discursos se dissolvem com as palavras, balofos, encardidos, feitos de ideias feitas, vazios, sem sentido. Só o poder é que conta para este circo que está montado. Nada mais. Nem projetos, nem futuros, nem esperança.
Apenas o poder pelo poder, ou seja, a mediocridade assumida pelo seu lado mais malcheiroso. Quando o sentido da dádiva se vai, restam lobos famintos lambendo com satisfação os seus próprios umbigos.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.