A – de Aníbal
Aníbal Cavaco Silva deu uma prova de que existe com o discurso do “compromisso de salvação nacional”. Os que o acusavam de estar calado, acusam-no agora de ter falado. Apesar de algumas fragilidades da sua proposta, recuperou um papel essencial na vida política. O País não será o mesmo, seja qual for o resultado das negociações entre PSD, CDS e PS.
B – de Bruma
Bruma tem um nome patriótico – “entre as brumas da memória, ó Pátria ouve-se a voz”. Mas não foi ele a “personalidade de inegável prestígio” indicada por Cavaco para alcançar o compromisso de salvação. O Presidente deixou cair a ideia, mas poderia mediar também o conflito do jogador com o Sporting.
C – Cagarras
“Uma cagarra, voava, voava” – esta poderia ser a nova versão da canção que se tornou famosa no 25 de abril, com uma gaivota revolucionária que voava e nunca mais parava. Não foi só numa cagarra das Ilhas Selvagens que Cavaco Silva colocou a anilha presidencial. Passos Coelho, Paulo Portas e António José Seguro que o digam.
D – de Divergências
O Presidente da República entalou, em primeiro lugar, o líder do PS. Seguro tem a ala socrática à perna, mas também históricos como Mário Soares ou Manuel Alegre. Será preso por ter cão e por não ter – ou melhor, quer assine o acordo, quer não o assine.
L – de líder do PS
O líder do PS que se cuide. O nível de ameaças da ala socrática sobre um possível acordo do PS com a maioria chegou ao nível habitual de linguagem do "suicídio político". Parece mais que se trata de uma tentativa de eutanásia política forçada.
M – de Média
Vamos em 25 executivos e 18 primeiros-ministros em 39 anos de democracia desde o 25 de abril de 1974. Uma média de um governo e meio por ano, sem contar com a Junta de Salvação Nacional de Spínola. Valeu a pena mudar tantas vezes?
P – de Professor Marcelo
Na sua última homilia dominical na televisão, a propósito do acordo de compromisso proposto pelo Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa contou – mal – a célebre história do Rei Salomão. Não, prof. Marcelo, na lenda do Rei Salomão a criança não ficou cortada ao meio. A verdadeira Mãe preferiu dar a criança inteira a dividi-la, ao contrário da outra falsa. O Rei Salomão percebeu quem era a verdadeira Mãe e entregou-lhe a filha inteira. Assim se espera que aconteça o mesmo ao País.
R – de Rui Rio
O ainda presidente da Câmara do Porto veio a Lisboa no dia seguinte ao discurso de Cavaco. A visita já estava programada, mas em política raramente há coincidências. Só que Passos Coelho ainda é o líder do PSD que ganhou as últimas eleições.
S – de Salvadores
Salvem-nos dos salvadores da pátria.
T – de Touro
O célebre “touro Marreta” que anda em fuga para não ser abatido é um bom símbolo da actual situação política nacional. Há quem insista em fazer de Marreta e fugir ao inevitável. As negociações paralelas do BE e do PCP para um alternativa, algures num mundo paralelo, são disso um exemplo. Mas não faltam marretas na política à portuguesa.
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Por Carlos Rodrigues
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